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Por que Gisele Bündchen ganha mais que o Sean O’Pry?


Por Ella Oliveira e Thiago Alves (Postado originalmente no Navy Blue Closet)





Nas últimas semanas um dos assuntos mais comentados é a diferença entre os cachês da modelo Gisele Bündchen e o americano Sean O’Pry, ambos considerados pela revista Forbes, os modelos mais bem pagos do mundo. De acordo com a publicação, enquanto a top ganha aproximadamente R$ 42 milhões ao ano, O’Pry recebe no mesmo período algo em torno de R$ 600 mil a R$ 1,5 milhão. Na última temporada de moda de São Paulo, a Colcci, famosa por seu “rico” casting, trouxe para a passarela os dois modelos.

Modelos femininas ganhando mais do que modelos masculinos. Uma inversão de papéis numa sociedade em que um homem sempre ganhou mais? Não. Apenas um reflexo do mesmo processo que faz com que historicamente mulheres em sua maioria ganhem menos do que os homens.

O papel da mulher sempre esteve subordinado ao papel do homem. Ao homem cabia prover o sustento da família num ambiente doméstico e tomar as decisões políticas, econômicas e culturais na sociedade machista. À mulher, coube, em seu papel subordinado, prover a criação dos filhos e ser um artefato para que os homens pudessem desempenhar seu papel. As mulheres, tratadas pelos homens como propriedades, deveriam servir, além de tudo, como um objeto de exibição dos homens. Mulheres bem vestidas, bonitas e saudáveis para gerar filhos eram tidas como um fator de sucesso na vida de um homem e corroborava o êxito masculino frente à sociedade.

Praticamente em todos os períodos da história, a vestimenta feminina refletia as posses de seu marido. Acostumado ao estilo mais funcional, a ornamentação feminina transmitia à sociedade os bens do homem.

Às mulheres foram atribuídas as características de fragilidade e necessidade de um homem que pudesse protegê-las e sustentá-las. Estar apresentável era um meio para conseguir um marido e poder agradá-lo. A moda, assim como a necessidade de seguir uma etiqueta, dever obediência aos homens, saber cuidar de uma casa e poder gerenciar a educação dos filhos, estava então ligados ao esforço feminino para atender as necessidades dos homens.

A moda feminina então se desenvolveu mais do que a moda masculina, pois as vestimentas masculinas eram funcionais enquanto as femininas chegavam a, de certa forma, causar problemas de saúde. A busca pela vestimenta perfeita causava, por exemplo, hemorragias internas, no caso de uso de espartilhos e desmaios em praça pública, quando vestidos pesados ‘lindíssimos’ eram usados em pleno verão, num esforço físico cruel[1]. Os homens por sua vez poderiam usar um terno funcional para ir a um casamento, um enterro, um jantar ou uma reunião de negócios. As mulheres, no entanto, precisavam apresentar um guarda-roupa mais versátil para, lindas e bem vestidas, ser exibidas como troféus em qualquer ocasião. Uma sociedade machista de fato.




As primeiras publicações de moda feminina, entre elas a inglesa Lady´s Magazine, de 1770, e a alemã Journal des Luxus und der moden, de 1786[2], foram feitas por editores homens. As mulheres, portanto, não tinham nem espaço para ser responsáveis pela distribuição de informação sobre o seu universo. Aliás, elas não tinham espaço para se expressar livremente nem dentro do ambiente doméstico, quanto mais fora.

Ao longo dos anos, o requinte da moda feminina inclusive era usado como uma maquiagem para toda opressão sofrida pelas mulheres[3]. Roupas delicadas e elegantes esconderiam o papel subordinado da mulher e a pressão machista à qual estavam (ainda não estão?) submetidas.

A condição inferior da mulher na sociedade machista se traduziu na não valorização de sua força de trabalho. A diferença de salários pode ser percebida durante a Revolução Industrial na Inglaterra, entre os meados dos séculos XVIII e XIX. Na ocasião as mulheres, e, infelizmente, as crianças, eram as funcionárias preferidas pelas grandes fábricas pela possibilidade de pagar salários baixos. Enquanto isso, a moda feminina continuava em alta, ditando as regras de vestimenta.

Com o fortalecimento do sistema capitalista e a reafirmação das relações de consumo, a moda feminina, mesmo passando por períodos difíceis, sempre se enquadrou nos critérios históricos, como no período da indumentária prática na virada do século XX[4].

Com tamanha expressivamente, variedade e necessidade de ornamentar a mulher para a vida em sociedade, obviamente a moda feminina vai fazer circular mais capital do que a moda masculina. Dessa forma, a diferença de salário pago à Gisele Bündchen e Sean O´Pry é compreensível. Isso não significa que as roupas que compõem a coleção masculina serão mais baratas que as femininas. Significa apenas que o volume de vendas de roupas femininas é maior do que as vendas de roupas masculinas.




Numa sociedade igualitária talvez, em que a atenção à indumentária feminina seja a mesma dada à masculina, o salário destas duas “belezuras” não seria tão discrepante.
Claro que o bloomerismo, entre outros períodos que caracterizaram a emancipação da mulher, foi decisivo para a busca da libertação feminina na moda e um ponto de resistência contra a sua condição subordinada ao homem na sociedade, mas isso é assunto para outra conversa.




REFERÊNCIAS
[1] MACKENZIE, Mairi. Ismos, para entender a moda. Editora Globo.
[2] SVENDSEN, Lars. Moda, uma filosofia. 2010. Rio de Janeiro. Editora Zahar
[3] ROCHA-COUTINHO, Maria Lucia. Tecendo por trás dos Panos, a mulher brasileira nas relações familiares. 1994. Rio de Janeiro. Editora Rocco.
[4] FOGG, Marnie. Tudo sobre moda. 2013. Rio de Janeiro. Editora Sextante

O pretinho Básico

Um vestido preto sugere sofisticação, poder e sensualidade. Um verdadeiro curinga no armário das mulheres, ele é tão básico que combina com praticamente tudo, o que lhe permite ser usado durante o dia com tênis, mochila e acessórios coloridos, ou à noite, numa produção mais elaborada.

O surgimento do que hoje chamamos de "pretinho básico" data de 1926, ano em que a revista "Vogue" publicou uma ilustração do vestido criado por Chanel - o primeiro entre vários que a estilista iria criar ao longo de sua carreira.


Antes dos anos 20, as jovens não podiam usar preto e as senhoras o vestiam apenas no período de luto.

A década de 30 começou com a grande depressão, resultado da quebra da Bolsa de Valores de Nova York, e terminou com a 2ª Grande Guerra. Além de estar fora de moda a ostentação, as mulheres estavam saindo para trabalhar fora de casa. Nesse cenário, as roupas para o dia tornaram-se mais sérias e o vestido preto se mostrou perfeito para a nova mulher que surgia.

Apenas em 1947 o vestido preto se transformou, ano em que o estilista francês Christian Dior lançou o seu New Look, um novo estilo de roupas, com cinturas apertadas e quadris avantajados, valorizando as formas femininas. O uniforme dos anos 50, que se espalhou pelo mundo, era um vestido preto, com golas e luvas brancas, usado com um colar de pérolas, sapatos coloridos e uma estola de pele. Acabou assim, junto com a guerra, o modo simples e econômico de se vestir.

O pretinho tornou-se realmente famoso nos anos 60 e início dos 70. Chique, usado por Jacqueline Kennedy, elegante e feminino no corpo de Audrey Hepburn, no filme"Bonequinha de Luxo", de 1961, cujo figurino foi criado pelo estilista francês Hubert Givenchy, e descontraído, feito de crochê, na pele da atriz Jane Birkin, em 1969.

Após a moda psicodélica da década de 70, a cor voltou para disputar poder com os homens, nos anos 80. Preocupadas com o sucesso profissional, as mulheres precisavam de uma roupa simples e elegante, que fosse a todos os lugares. Mais uma vez, o vestido preto se tornou a melhor opção.

Nos anos 90 ele continuou sendo uma peça básica do guarda-roupa feminino, feito com os mais diversos tecidos, do modelo mais simples ao mais sofisticado, usado em todas as ocasiões e em todos os horários. Por tudo isso o vestido preto se tornou o grande clássico do guarda-roupa feminino, aquele que garante as duas características básicas ao mesmo tempo - simplicidade e elegância.

Anos 20

A década de 20, na moda, foi um período de mudanças significativas. A ciência caminhava em suas descobertas.  Nos anos 20, aconteceu a Primeira Guerra (1914 – 1918). Os homens se alistavam nas forças armadas, o que obrigava as mulheres a desempenhar as funções que eram tão somente para eles. Antes, quadris e seios se destacavam. No século XX, esses elementos se renovaram.
Os velhos vestidos longos e românticos sofreram alguns cortes. Eles tapavam o corpo quase na totalidade. O formato mudou completamente: o que apresentava o desenho de uma flor invertida, agora, toma proporções novas: a forma tubular, os braços e costas sem pano. Os tornozelos estavam à mostra, pois as saias eram mais curtas – até o meio da canela. A maquiagem se sobressaiu nessa época. As mulheres utilizavam batons, lápis nos olhos, tiravam sobrancelhas e abusavam dos produtos que deixavam a face embranquecida.
Nos anos 20, as saias haviam encurtado. Existia um estilo de dança chamado Charleston, inventado na Carolina do Sul – EUA e contava com movimentos não permitidos por vestidos longos. Esses, chegavam até o meio das coxas, no máximo. As garotas dançarinas dos cabarés (casas noturnas famosas na Belle Époque - não tinha ligações com os prostíbulos.) divertiam seus espectadores nas produções.
A moda foi divulgada a partir dos filmes. Os norte-americanos usaram bastante o poder de sedução e a capacidade de beleza contidas nelas, nas superproduções cinematográficas. Com isso, revelaram-se grandes estilistas que expunham suas artes nos corpos dos grandes artistas da época. Era um período de guerras; então, os Estados Unidos perderam o contato com a França, onde se localiza Paris – palco de importantes desfiles. A década de 20 ficou marcado como os anos dourados da moda.
Alguns nomes se destacaram nesse período próspero da moda. O francês Jacques Doucet: causou polêmica ao diminuir o tamanho das saias femininas, trazendo à vista as ligas de renda. Além dele, a sua compatriota Gabrielle Bonheur Chanel, conhecida como Coco Chanel, possuía uma casa de costura. Produziu blazers, chapéus, colares, etc. Na época, foram produzidas roupas esportivas e as modas da praia: os maiôs.
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