Glauber não morreu.
Glauber sublimou.
Se ainda materialmente entre nós, o baiano de Vitória da Conquista, primogênito de Lúcia e Adamastor, estaria completando neste mês 76 anos. Por infortúnio do destino, o pai do Cinema Novo teve uma vida abreviada, mas deixou uma porta aberta.
| Glauber tinha paixão pelo cinema.
Tão
grande que desejava transformá-lo, reinventá-lo.
Extrair
dele mais do que era oferecido ao meio dia do século XX |
Lúcia Mendes de Andrade Rocha alfabetizou Glauber de Andrade Rocha em casa. Nascido em 14 de março de 1939, aos cinco anos o primeiro filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha já sabia ler e, alguns anos mais tarde, dedicava sua disposição a escritores como Jorge Amado, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, James Joyce, Willian Faulkner, Friedrich Nietzsche e Arthur Schopenhauer.
Aos 10 anos escreveu em espanhol sua primeira peça de teatro, 'El Hilito de Oro', que foi encenada no Internato do Colégio Presbiteriano Dois de Julho, onde estudava. Na ocasião, o menino Glauber protagonizou a peça no papel do príncipe espanhol. Três anos mais tarde participava como crítico de cinema no programa de rádio 'Cinema em Close-Up'.
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| Glauber aos 10 anos encenando 'El Hilito de Oro' |
Um baiano arretado e precoce. Ao
longo de seus 20 anos de carreira, Glauber dirigiu, atuou, roteirizou, pensou e
causou no cinema. O preço a ser pago por todos os valores que imputava à sétima
arte, que ele queria ver emergir, foi caro e ele pagou.
Com peças de sua obra premiadas em
Cannes nas décadas de 60 e 70, Glauber é um fenômeno único do cinema brasileiro.
Apaixonado e leitor juvenil de grandes clássicos da literatura mundial, o
cineasta trouxe para a sétima arte brasileira a grandeza narrativa sob um olhar
poético, livre, articulado e revolucionário sobre o cotidiano. Dessa forma, ofereceu ao público as
personagens tipicamente brasileiras elevadas a protagonistas de sua obra.
Glauber inovou com uma estética
cinematográfica fora dos padrões de Hollywood, e fez sua obra a partir do experimentalismo. Nascia o Cinema Novo. Em razão da sua escolha, até hoje tenta ser desvendado pelos críticos e amantes de cinema. A porta que deixou aberta é a atemporalidade de sua obra. Em 1965, escreveu sua carta manifesto 'A Estética da Fome' em que defendia um modo revolucionário de fazer cinema, tanto no conteúdo, quanto na forma; um contraponto com o Cinema Industrial , cujo compromisso, para Glauber, era com a mentira e com a exploração.
Carreira
Carreira
Iniciou sua carreira com o curta concretista 'O Pátio' (1959) e em seguida, no mesmo ano, filmou o também curta, este inacabado, 'Cruz na Praça'. Sua experiência com longas metragens começa no início da década de 60, com Barravento (1961). Após este longa, o cineasta dedica-se à 'Deus e o Diabo na Terra do Sol' (1964).
Nesta obra, traçou o drama de um
sertanejo que, vítima de uma injustiça, se rebela e mata o coronel.
Reconhecido internacionalmente e
exilado do país durante a Ditadura Militar em 1971, passou pouco mais de 5 anos anos rodando pelo
mundo, sustentando, com uma esperança dolorosa, o desejo de voltar para casa. Assim como muitos, Glauber se lançou a contragosto no mundo e, durante o exílio, o baiano passou por Cuba, França, Itália, Moscou, e Egito, voltando ao Brasil em 1976, quando filmou o enterro de Di Cavalcanti.
A ação teria sido um acerto de conta entre os artistas. O que morresse primeiro receberia uma festa de despedida. Di recebeu um carnaval com parangolés. O filme, resultado deste acerto de contas, premiado em Cannes em 1977, foi proibido pela família de Di.
Em 1981 viaja para Paris e em seguida para Lisboa. De lá, retorna já doente para ao Brasil. Faleceu em 22 de agosto de 1981 em decorrência de complicações bronco pulmonares. Seu velório tinha como cenário o Parque da Lage, no Rio de Janeiro, onde havia filmado 'Terra em Transe'. O enterro foi registrado em detalhes por Silvio Tendler que, por ironia do destino, também foi censurado pela família do falecido.
A ação teria sido um acerto de conta entre os artistas. O que morresse primeiro receberia uma festa de despedida. Di recebeu um carnaval com parangolés. O filme, resultado deste acerto de contas, premiado em Cannes em 1977, foi proibido pela família de Di.
Em 1981 viaja para Paris e em seguida para Lisboa. De lá, retorna já doente para ao Brasil. Faleceu em 22 de agosto de 1981 em decorrência de complicações bronco pulmonares. Seu velório tinha como cenário o Parque da Lage, no Rio de Janeiro, onde havia filmado 'Terra em Transe'. O enterro foi registrado em detalhes por Silvio Tendler que, por ironia do destino, também foi censurado pela família do falecido.
Após a morte de Glauber, a mãe, Lucia Rocha, recolheu os
pertences do cineasta e enfrentou o luto montando um templo para o filho.
Reuniu seu legado e fez dele um tesouro. Depois de anos de trabalho, em 1987, Lucia
fundou o Tempo Glauber, no Rio de Janeiro.
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| Lucia Rocha no Tempo Glauber - RJ |
Em 2014, aos 95 anos, Lucia também
sublimou.
O acervo do centro, além dos
filmes, contava também com fotos, desenhos, documentos e cartas do cineasta. Em
virtude de uma crise financeira, que começou em 2010, os 22 filmes, já restaurados,
foram transferidos para a Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Já os
desenhos, mais de 400, estão sob os cuidados do Instituto Moreira Salles, no
Rio de Janeiro.
A filha primogênita do cineasta, Paloma Rocha,
ainda procura auxílio financeiro para manter parte do acervo que está sob seus
cuidados.
Ao longo sua vida, Glauber casou-se três vezes e teve seis filhos.
FILMOGRAFIA
Pátio, curta-metragem. p&b. 1959
Cruz na Praça, curta-metragem. p&;b. 1959
Barravento, longa-metragem. p&b 1961
Deus e o Diabo na Terra do Sol. p&b. 1964
Amazonas Amazonas, curta-metragem. cor. 1966
Maranhão 66. Curta-metragem. p&b. 1966
Terra em Transe, longa-metragem. p&b. 1967
1968. média-metragem. p&b. 1968
O Dragão da maldade Contra o Santo Guerreiro, longa-metragem. cor. 1969
O Leão de Sete Cabeças (Der Leone Have Sept Cabeças), longa-metragem, cor. 1970
Cabeças Cortadas (Cabezas Cortadas), longa-metragem, cor. 1970
Câncer, média-metragem. p&b. 1972
História do Brasil, longa-metragem, p&b. 1974
As Armas e o Povo, média-metragem, p&b. 1975
Claro, longa-metragem, cor. 1975
DI, curta-metragem. cor. 1977
Jorjamado no Cinema, média-metrage. Cor. 1977
A Idade da Terra, longa-metragem, cor. 1981
BIBLIOGRAFIA
Revolução do Cinema Novo. Alhambra/Embrafilme. Rio de Janeiro.1981.
O século do Cinema. Alhambra. Rio de Janeiro. 1985.
Roteiros do Terceyro Mundo. Org. Orlando Senna. Embrafilme e Alhambra. Rio de Janeiro. 1985.
Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. Ed. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro. 1963
Riverão Sussuarana (romance). Ed. Record. Rio de Janeiro. 1978
Cartas ao Mundo. Glauber Rocha. Organização e apresentação: Ivana Bentes. Companhia das Letras. 1997.
Ao longo sua vida, Glauber casou-se três vezes e teve seis filhos.
FILMOGRAFIA
Pátio, curta-metragem. p&b. 1959
Cruz na Praça, curta-metragem. p&;b. 1959
Barravento, longa-metragem. p&b 1961
Deus e o Diabo na Terra do Sol. p&b. 1964
Amazonas Amazonas, curta-metragem. cor. 1966
Maranhão 66. Curta-metragem. p&b. 1966
Terra em Transe, longa-metragem. p&b. 1967
1968. média-metragem. p&b. 1968
O Dragão da maldade Contra o Santo Guerreiro, longa-metragem. cor. 1969
O Leão de Sete Cabeças (Der Leone Have Sept Cabeças), longa-metragem, cor. 1970
Cabeças Cortadas (Cabezas Cortadas), longa-metragem, cor. 1970
Câncer, média-metragem. p&b. 1972
História do Brasil, longa-metragem, p&b. 1974
As Armas e o Povo, média-metragem, p&b. 1975
Claro, longa-metragem, cor. 1975
DI, curta-metragem. cor. 1977
Jorjamado no Cinema, média-metrage. Cor. 1977
A Idade da Terra, longa-metragem, cor. 1981
BIBLIOGRAFIA
Revolução do Cinema Novo. Alhambra/Embrafilme. Rio de Janeiro.1981.
O século do Cinema. Alhambra. Rio de Janeiro. 1985.
Roteiros do Terceyro Mundo. Org. Orlando Senna. Embrafilme e Alhambra. Rio de Janeiro. 1985.
Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. Ed. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro. 1963
Riverão Sussuarana (romance). Ed. Record. Rio de Janeiro. 1978
Cartas ao Mundo. Glauber Rocha. Organização e apresentação: Ivana Bentes. Companhia das Letras. 1997.


